Botox e seus mitos

O famoso “Botox” é uma toxina botulínica do tipo A e, por ser a mais conhecida e mais estudada no mundo, muitos denominam qualquer toxina botulínica por Botox, mas, na verdade, temos várias marcas comerciais.

A toxina botulínica é produzida pela bactéria Clostridium botulinum e provoca o que nós chamamos de denervação (relaxamento) muscular através da inibição do neurotransmissor acetilcolina na junção neuromuscular. Alguns dias depois da sua aplicação, o músculo apresenta um relaxamento temporário, diminuindo a sua força de contração. Ou seja: ela age na ruga dinâmica, que é a ruga da mímica facial, podendo atuar muito suavemente nas rugas estáticas.

Uma das grandes preocupações de quem desconhece os benefícios da toxina é se ela deixa o rosto paralisado (“engessado”), se fica perceptível ou se há alguma restrição após receber a toxina.

Vamos por partes… Começarei dizendo que não é preciso envelhecer para receber a toxina. Em diversos casos na odontologia, o uso da toxina é indicado. Por exemplo, nos casos de crianças que apresentam bruxismo, as mesmas podem receber a toxina a partir dos seis anos de idade. Para assimetrias faciais, como sorrisos “tortos” e sorriso gengival, a intervenção pode acontecer já na adolescência. Ou seja, cada caso é um caso: não há regras específicas em relação à idade, mas sabemos que a musculatura facial não responde muito bem após os 65 anos de idade.

É perceptível? Não, desde que trabalhada a musculatura facial de forma natural e harmônica. Sendo assim, a quantidade recebida não poderá ser muito elevada. O que contará, será o bom senso e o bom planejamento que deve ser realizado juntamente à avaliação clínica e fotográfica.

Os benefícios da toxina vão desde a melhora na qualidade de vida, até melhoras no estado de depressão, ocasionando, desta forma a melhora da dor e da aparência, ou seja: um tratamento cosmético, mas também funcional.

Outras doenças e sintomas que podem ser tratados com o auxílio da toxina botulínica: bruxismo, apertamento dental, dentes e musculatura facial doloridos ao acordar, cefaléia tensional, sorriso gengival “expressivo”, depressão da comissura labial (canto da boca), queixo em casca de laranja, sorriso gengival inferior, abertura bucal e sorriso assimétricos, selamento (fechamento) labial de forma passiva, linhas de marionete, melhora do sulco nasogeniano (bigode chinês), dentre outros.

O procedimento para receber a toxina é simples, seguro e efetivo, desde que seja realizado por um cirurgião-dentista qualificado para tal. As aplicações no terço inferior da face devem ser cautelosas, uma vez que os músculos estão ligados a funções fisiológicas específicas. A indicação para os procedimentos de toxina botulínica e preenchimento facial deve ser esclarecida, assim como o resultado esperado (expectativa) do paciente, duração dos efeitos, contraindicações e custos dos procedimentos.

A toxina deve ter um intervalo de, no mínimo, três meses. Ela se instala aos poucos. Quanto mais baixo o peso molecular, mais lenta ela será. O período que se iniciam os resultados ocorre por volta do terceiro dia, e já apresenta seu completo resultado ao décimo quinto dia.

Outra grande dúvida é sobre a toxina ser ou não tóxica. Para ser tóxica a dose precisaria ser mil vezes maior que a dose usada nos procedimentos. Quando realizados esses procedimentos, não há necessidade de afastamento das suas atividades diárias, mas recomendamos que após a aplicação sejam evitadas as atividades físicas, dormir somente após 4 horas da aplicação, e não realizar massagens locais.

A toxina é contra-indicada para são: gestantes, lactantes, hipersensibilidade a essas substâncias, algumas medicações, distúrbios de coagulação, insuficiência renal ou hepática, processos infecciosos e doenças autoimunes.

Antes de fazer uso deste procedimento inovador, consulte seu dentista e tire todas as suas dúvidas!

Sobre Caroline Marinho

Graduada em Odontologia pela Universidade Federal do Paraná em 2005; MBA em Gestão Comercial pela IBPEX em 2014; Especialista em Perícias Criminais pelo Verbo Jurídico em 2016; Gerente de Produtos da Sisprodent Soluções Dentárias.

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